Ele é músico, compositor, produtor e apresentador. A fdm
teve o prazer de entrevistar Mauricio Pacheco, guitarrista da cantora Vanessa
da Mata e apresentador do programa “Segue o Som”, da TV Brasil. Confira:
fdm:
Maurício, você cursou Arquitetura e Urbanismo na UFRJ. Concluiu o curso? Chegou
a trabalhar nessa área? Como a carreira musical passou a fazer parte da sua
vida?
Maurício: Sempre quis ser músico, mas como não tive uma formação
musical acadêmica, acabei fazendo arquitetura, que era um outro interesse que
tinha, muito por causa dos meus pais, que são arquitetos. Fui até o sexto
período, quando minha primeira banda, Mulheres Q Dizem Sim, gravou um disco e a
música começou a parecer um caminho profissional pra mim. A partir daí, montei
um estúdio com 2 amigos e começamos a trabalhar com produção musical.
fdm:
Você participa do “Comfusões”, que é um projeto que explora a união das
culturas angolana e brasileira. O que essas duas culturas têm em comum na sua
música? Como surgiu esse projeto?
Maurício: Eu sempre me interessei em fazer misturas de sons, e sou
um apaixonado pela música africana em geral. Quando fui morar em Angola por um
tempo, me senti muito à vontade com todos os músicos com quem trabalhei. Esse
projeto surgiu através de um trabalho de pesquisa que fiz com os arquivos da
RNA (Rádio Nacional de Angola). Estava lá em Luanda produzindo um disco do
Paulo Flores para o selo Maianga, e o disco foi gravado lá na RNA. Depois,
através do Sérgio Guerra, dono do selo Maianga, tive acesso a vários discos
clássicos da música angolana e apresentei a ideia de um disco de remixagens
desses clássicos. Aí nasceu o Comfusões, que acabou sendo lançado no Brasil,
Angola e na Europa, em parceria com um selo alemão superlegal chamado OUT/HERE
Records.
fdm:
Qual a importância de ter cursado violão clássico e teoria musical no
Conservatório de Lille, na França, para a sua carreira? Como foi o período em
que você viveu lá?
Maurício: Na verdade fui fazer intercâmbio lá, e na França, já no
ensino médio, você escolhe sua área de interesse. Eu escolhi música, mas o que
aprendi mais foi fora da escola. Conheci muitos músicos árabes e africanos e
ouvi muita música nova, toquei no metrô, em peça de teatro, e isso acabou sendo
um passo importante para que eu me tornasse músico. Mas não tenho formação
clássica, aprendi muito ouvindo Hendrix e Jorge Ben com o Pedro Sá, e quase
nada de violão clássico.
fdm:
Ao lado de Mariano Marovatto, você apresenta, desde setembro de 2009, o
programa “Segue o Som”, da TV Brasil. O programa mostra, além das entrevistas,
clipes, dicas musicais e muitas novidades do mundo da música, seja em
tecnologias ou novos artistas. Como vocês desenvolvem esse trabalho de pesquisa
para apresentar o que há de novo?
Maurício: Na verdade, eu não sou um pesquisador, não tenho
metodologia definida. Sou um apaixonado por música e por todas as questões dos
músicos e do mundo da música. Acho a música uma grande alegria na vida, uma
forma de arte que te impacta por todos os sentidos. A gente ouve com o corpo
todo, e as emoções que a música desperta são infinitas. Minha ideia no programa
é falar de tudo isso. Mostrar quem está fazendo música, que tipo de relação
cada músico tem com sua arte e como o exemplo de músicos que tem mais estrada
pode ajudar quem está começando e precisando de ideias ou de um entendimento de
como se inserir como artista no mundo de hoje. Por isso vamos a festivais.
Gosto de entrevistar os músicos em seus habitats naturais, que são o estúdio e
o palco. Estou apresentando o Segue o Som desde 2009, e já tive a honra de
entrevistar vários ídolos meus, como João Bosco e João Donato, além da nossa
querida Vanessa da Mata, que contou algumas histórias e falou de seu rico
universo musical.
fdm:
Como é feita a escolha dos entrevistados para o programa “Segue o Som”?
Maurício: Eu tento mesclar estilos e capturar momentos diferentes
da carreira dos entrevistados. Falamos com artistas que estão se revelando
agora, como a Mariana Aydar e o Emicida, que são compositores de agora e têm ideias
muito frescas sobre como atuar no mercado atual e como solucionar problemas e
aproveitar o lado bom das mudanças radicais que a indústria da música tem
sofrido. De outro lado, entrevistamos artistas com várias décadas de carreira,
como o Emílio Santiago, e que apresentam uma vontade enorme de fazer música
nova, e tem essa generosidade de compartilhar sua sabedoria com a gente. É
muito divertido e eu aprendo com eles todos os dias.
fdm:
Maurício, você já trabalhou com vários artistas como Lenine, Jorge Ben Jor,
Jussara Silveira e Fernanda Abreu. Atualmente, você acompanha a cantora Vanessa
da Mata na turnê “Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias”. Como surgiu o convite
para tocar na banda de Vanessa? Como é trabalhar com a cantora?
Maurício: Como eu sempre tive bandas, acabei acompanhando alguns
artistas em alguns momentos, entre um projeto meu e outro. Fiquei uns dois anos
tocando com o Gabriel O Pensador, também, e foi muito bom, pois pareceu muito
com um grupo de amigos, sem muita cerimônia na GIG. O convite pra tocar com a
Vanessa surgiu pelo Kassin, que é o diretor musical desse show e produziu os
últimos discos da Vanessa. Conheço o Kassin há muito tempo, mas nunca tínhamos feito
uma turnê juntos. Lembro que ele me ligou em um domingo, eu topei na hora, é
claro, e uma semana depois já estava fazendo meu primeiro show com eles.
A Vanessa é sensacional, uma pessoa muito espontânea e generosa,
que faz o trabalho parecer uma diversão leve o tempo todo. Não a conhecia
pessoalmente até começar a trabalhar com ela, e fico impressionado como ela
consegue ter tanto domínio do palco. Quando ela dança e canta, cria uma
intimidade imediata com milhares de pessoas. É muito bonito de ver.
fdm:
No ano passado, junto com Donatinho, Gustavo Ruiz, Stephane San Juan, Kassin e
Antoine Midani, você criou o curta metragem “Operação Topázio”. A ideia surgiu
a partir do terno preto que vocês usam durante as apresentações dos shows de
Vanessa da Mata. Pode nos falar um pouco mais sobre isso?
Maurício: Haha, essa é muito boa! Realmente, quando colocamos os
ternos, antes dos shows, no camarim, ficamos criando cenas para passar o tempo,
pra zoar mesmo. Show após show, os personagens e as cenas começaram a evoluir.
O Stephane botava o terno e já começava a falar com sotaque indiano, eu
respondia com sotaque árabe, etc. Um dia passei um e-mail pra todos da banda
com um roteiro baseado em tudo aquilo que todos já estavam fazendo nos camarins
pelo Brasil afora. A ideia ganhou corpo mesmo depois de um show em Manaus, que
era em uma casa de festas e o nosso camarim em uma sala chamada “sala Topázio”.
fdm:
A parte II contará com a participação de Vanessa e outros artistas, correto?
Quando poderemos conferi-la?
Maurício: Sim, teremos Vanessa da Mata no episódio 2, que já esta
legendado, na finalização.
A fdm agradece a Maurício Pacheco pela entrevista
concedida e pela gentileza de sempre. Desejamos cada vez mais sucesso na sua
carreira profissional e na vida pessoal.

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